INSPEKTOR

Fundão_Moagem_ 27 de Março_21h30

Numa pequena cidade de província da Rússia de Nicolau I, os seus principais representantes, os directores e responsáveis pelas suas instituições, que agem a seu belo prazer, dissociados do interesse comum, surge a notícia de que pode estar já ali presente um inspector geral do reino para averiguar o bom funcionamento da sua edilidade. Notícia que põe todos em movimento, tal a instabilidade e preocupação que cria no ‘status’ há muito estabelecido por um grupo de caciques cujo burgomestre é o seu mais distinto impulsionador.

“Inspektor” é uma obra que nasce de outra (tem como ponto de partida o famoso texto de Nikolai Gógol, “O Inspector”), nesse potencial que a arte tem de desdobramento em novas funções. É, por isso, também, um trabalho de pesquisa da Estação Teatral que não fazendo peças de repertório as pode eventualmente revisitar para lhes buscar ressonâncias e sentidos actualizados pelos contextos específicos das suas abordagens.

A ideia de teatro que esta companhia vem pesquisando, agora na sua 34ª criação, como convive e como explora um texto realista da primeira metade do século XIX? O que há de comum e o que pode ser transposto para o dealbar de um século XXI onde a relação actor/espectador já não é a mesma? 

Liberdade, sociedade, ética, democracia, indivíduo, civilização, corrupção são algumas palavras-chave aqui perscrutadas através das marcas de uma companhia que vem desde sempre defendendo o sentido de uma centralidade da encenação como motor de uma obra teatral. A espacialidade, a narrativa dos corpos em acção no espaço, a relação interdependente ver-fazer, a perspectiva da percepção visual são marcas de uma criação. Numa época em que urge firmar o teatro como arte autónoma e integral e onde os conteúdos temáticos dos textos escritos não bastam por si só. Não bastam, na medida em que urge encontrar sempre um “como fazer” ou, se se preferir, entender que a forma também é o conteúdo e esta urge ser contemporânea – ou o teatro não subsiste senão enquanto uma tradição de uma tradição de uma tradição…

Nuno P. Custódio

Encenação: Nuno Pino Custódio

Dramaturgia (a partir da obra de Nikolai Gógol): Nuno Pino Custódio, em co-criação com Joana Poejo, Pedro Fino, Roberto Querido, Samuel Querido e Tiago Poiares

Espaço Cénico: Pedro Novo

Figurinos: Maria Luiz

Desenho de Luz e Operação: Pedro Fino

Montagem: Pedro Novo e João Freitas

Confecção de Figurinos: Alfaiataria Juvenal

Fotografia: Miguel Proença

Design de Comunicação: Hugo Landeiro Domingues

Direcção de Produção: Alexandre Barata

Co-Produção: Cine Teatro Avenida de Castelo Branco

Interpretação: Joana Poejo, Roberto Querido, Samuel Querido e Tiago Poiares