VI MASTER DE COMMEDIA DELL’ARTE

24 a 30 de Agosto / MOAGEM

Desde 2007, a Estação Teatral e o Festival Internacional de Teatro ao Ar Livre TeatroAgosto têm apostado numa oferta de formações raras em Portugal: as Masterclasses de Commedia
dell’Arte onde, durante o decurso da sua programação, recebem um conjunto de alunos que durante um período intenso do dia frequentam as aulas e, no período da noite, têm a oportunidade de se focarem em espectáculos que privilegiam a arte da encenação ou o teatro enquanto espectáculo, respondendo aos desafios do contexto do espaço ao ar livre.

Dezenas de alunos, de várias nacionalidades têm correspondido a este estágio de verão, sempre na perspectiva de que a Commedia dell’Arte se constitui como um elemento estruturante nas suas formações. Uma das particularidades destes encontros é o de abarcar módulos que se revelam complementares e que investem na vertente actor-criador.

A Commedia dell’Arte foi a última manifestação mascarada do teatro no Ocidente e marcou quase três séculos de uma actividade que veio a ser determinante não apenas para a formação do actor até aos dias de hoje (constituindo-se como o seu primeiro grande laboratório) mas inclusive para a profissionalização de toda uma actividade que pôde, a partir daí, sistematizar os seus ensinamentos de forma a criar escola e a transmiti-los.
Não sendo possível hoje reconstituí-la ou recriá-la, tantas foram as suas possibilidades, transformações e evoluções, num universo onde a informação, no plano do espectáculo, é tantas vezes escassa ou inexistente, sabe-se que terá irrompido em Itália, fruto de uma convergência de factores que se tornaram visíveis, em meados do século XVI, espalhando-se pela Europa até finais do século XVIII.

Manifestação popular, de origens controversas, três marcas são-lhe no entanto reconhecidas
Como estruturantes para o actor moderno: (a) o recurso à improvisação (os actores representavam sem texto fixo, a partir de guiões muito bem elaborados e estavam atentos às reacções do público, adaptando, em cada momento, o seu jogo às circunstâncias); (b) a tipificação de personagens (onde o recurso a arquétipos sociais garantiam a possibilidade de evolução de todo um espectro humano que representaria por sua vez todas as cambiantes sociais, físicas e psicológicas, colocando a representação num plano de identificação muito directo) e (c) o recurso à máscara, que permitia, entre tudo o que já se disse, desenvolver a capacidade de desdobramento no “outro”, comunicando de forma total.

Dir: Nuno Pino Custódio