TeatroAgosto 2015

Orquestra Municipal do Fundão

21.08 (6ªfª) / 22h00 / MOAGEM

Agosto 2015

Orquestra Municipal do Fundão

Esta orquestra foi criada no âmbito do protocolo assinado, a 2 de outubro de 2014, entre o Município do Fundão, a Santa Casa da Misericórdia do Fundão, a Banda Filarmónica da Aldeia Nova do Cabo, a Banda Filarmónica da Peroviseu e a Sociedade Filarmónica Silvarense, sendo composta maioritariamente por músicos oriundos destas bandas filarmónicas.
Os objetivos da Orquestra Municipal são contribuir para o desenvolvimento cultural do concelho do Fundão; oferecer oportunidades de práticas musicais diferenciadas a jovens e adultos; participar em eventos culturais promovidos pelo Município ou por outras entidades; bem como preservar os valores culturais; elaborar, organizar e divulgar um repertório variado e eclético.

Direcção Musical: João Roxo
Flautas: Maria Figueira / Catarina Pais / Rita Sousa / Clarinetes: Luís Melo / Francisco Garcia / Saxofone Alto: Diana Santos / Tatiana Marques / Josué Antunes / Saxofone Tenor: Cláudio Pereira / Mariana Barroca / Trompetes: Emanuel Barroca  / Eduardo Marques / Pedro Madeira / António Augusto / André Mesquita / Trompa: Henrique Ramos / Tuba: Vasco Valério / Fagote: Ricardo Sousa / Violino: Daniela Morgadinho / Viola de Arco: Roberto Simão / Guitarras: Aires Fernandes / Júlio Reis / Piano: Paulo R. / Contrabaixo: João Paulo Rosado / Percussão: Gonçalo Santos / Gonçalo Alves / Bateria: José Marrucho

Classes de Teatro da ESTE, "O pantoMineiro"

21.08 (6ªfª) / 23h00 / MOAGEM

Agosto 2015

ESTE - Classes de Teatro

O pantoMineiro

m/6 anos - dur: 30m

Ao longo dos anos, o projecto pedagógico da Estação Teatral, com as Classes, tem procurado aproximar a comunidade à sua ideia de Teatro, transmitindo os seus valores éticos e estéticos, que caracterizam a companhia.
Este ano lectivo e com a colaboração de alunos de diferentes faixas etárias (crianças, adolescentes e adultos), abordamos a temática das Minas da Panasqueira, proporcionando assim a possibilidade de criar um objecto artístico inserido no universo da Beira Interior.
As minas e todas as histórias que as rodeiam estão profundamente cravadas nos relatos de muitas gerações desta região, desde o início do séc. XX. Essas histórias do passado voltarão a ser contadas, no espaço e no tempo do Teatro, no aqui e agora.

Direcção Artística: Nuno Pino Custódio
Coordenação pedagógica: Tiago Poiares e Roberto Querido
Desenho de Luz: Pedro Fino
Produção: Alexandre Barata
Com: Alberto Pereira, Ana Correia, Camila Crocker, Daniela Carvalho, Dina Pereira, Duarte Costa, Francisco Barata, Inês Opinião, Leonor Moreira, Lídia Rebelo, Lucas Antunes, Maria João Pacheco, Mariana Antunes, Matilde Santos, Neli Pereira, Paula Campelo, Tânia Costa e Vanessa Jesus

SERAFIM, "Serão de Contos"

20.08 (5ªfª) / 22h00 / TRÊS POVOS  -  21.08 (6ªfª) / 22h00 / SOUTO DA CASA

Agosto 2015

SERAFIM

Serões de Contos

Conto para que as palavras regressem a casa mais cedo. Para que entre nós deixem de haver vazios difíceis de habitar. Como as aves rumo a um sul à espera de existir. Conto para dar sentido aos passos que faço. Para reaprender a amar todas as ruas que percorro e entender todas as gentes que encontro. Conto para afagar silêncios fundos e afagar tristezas demoradas. Para fazer dos dias a morada da fala e dos meses a terra sonhada. Conto para que tudo à minha volta seja mais bonito. Tão simples de fazer tão complicado de entender...

“Não há seda nas lembranças”

22.08(sáb.) / 15h00 / Biblioteca Municipal Eugénio de Andrade

Agosto 2015

Jorge Serafim

Apresentação do livro, “Não há seda nas lembranças”

Num bairro, há um prédio como todos os outros onde cada inquilino carrega uma geografia por contar, atravessando tempos que já foram e dias que já são. Com o pretexto de contar a história de Maria Paloma, refugiada da guerra civil de Espanha, quando ocorreram os bombardeamentos em Badajoz pelas tropas franquistas, o narrador, uma criança, vai desfilando com nome próprio as histórias que têm feito a vida de cada vizinho.
(…) Assim entre tanta história parte de cada habitante, neste prédio de Beja, o narrador vai tecendo uma teia que entrelaça com fios de memória, as invasões francesas, as lutas liberais, a guerra civil de Espanha, a guerra do ultramar, estórias de vida e de morte, de amor e humor com o dia-a-dia de um bairro no tempo em que as estradas eram para os moços jogarem à bola e correrem livres como os pássaros no céu…

Serafim e as Vozes da Cal, "Em Branco"

22.08(sáb.) / 22h00 / Praça Velha

Agosto 2015

Jorge Serafim e as Vozes da Cal

Em Branco

M/6 anos

Um contador de histórias e quatro músicos, ao todo cinco amigos das mesmas eternidades, juntaram-se para acomodar o Sul que carregam no peito em cima do mesmo palco. São histórias tradicionais do mundo árabe aconchegadas em canções onde se cruzam as palavras dos poetas Árabes com as vozes cálidas e arrastadas do Alentejo. A viola Campaniça, o alaúde, as violas e as gaitas, criam as atmosferas necessárias para que as narrativas de um tempo distante desfilem neste presente tão ausente. Pela voz dos cantautores, poemas de Al-Mu'Tamid diluem-se pelo cante do Baixo Alentejo, como que a reparar uma urgência, a de diluir fronteiras porque o Sul é para tecer horizontes sem linhas que o separem. E assim viajamos até Damasco, até ao Cairo, até à Pérsia, até ao imenso Alentejo, pela mão de Jorge Serafim e as Vozes da Cal. Uma feliz união, em torno de raízes que se fundem com outras contemporaneidades e que merecem reluzir à luz do dia como as paredes caiadas ao sol.

Jorge Serafim - narrador, contador de histórias (voz)
Paulo Colaço - viola Campaniça, alaúde e voz
Paulo Ribeiro - viola e voz
Fernando Pardal - viola e voz
Jorge Moniz - percussão

ESTE - Estação Teatral, "A Entrada do Rei"

23.08 (Dom) / 21h30 / Peroviseu - 24.08 (2ªfª) / 22H00 / Moagem

Agosto 2015

ESTE - Estação Teatral

A Entrada do Rei

O rei viaja. Madrid, Trujillo, Mérida, Badajoz, Elvas, Estremoz, Évora, Montemor, Almada, Belém e Lisboa. Já todos zombavam desta pretensa travessia, quando se aperceberam que, desta feita, era mesmo intenção consumada. Desde a sua coroação, duas décadas antes, não passara da promessa. Mas agora ei-lo às portas de Lisboa, aguardando a sua triunfal entrada. A antiga capital, outrora centro da civilização ocidental, está ainda atrasada para a sua recepção, está a engalanar-se como nunca, qual amante que tudo joga para seduzir e conquistar. Não é fácil segurar o Senhor do Mundo. Rei de Espanha, de Portugal e dos Algarves daquém e dalém-mar em África, de Nápoles e da Sicília. Filipe de seu nome, como nome de uma dinastia. Filipe o terceiro mas também o segundo. Aquele que se desviou das promessas do pai, e enfraquecera um Portugal outrora jurado como território preservado na sua influência e autonomia. Como será agora, no ano da graça de Nosso Senhor Jesus Cristo de 1619? Há que receber e convencer o Rei, o Rei fará a sua entrada...e é nesta mesma entrada que se faz irromper uma surpreendente história de capa e espada de fazer cortar a respiração!

Texto original: Jacinto Cordeiro
Tradução (para trabalho): Ana Brum
Dramaturgia: Ana Brum e Nuno Pino Custódio
Encenação: Nuno Pino Custódio
Espaço e Figurinos: Ana Brum
Direcção de Produção: Alexandre Barata
Fotografia:Rades e Leonel Mendes
Vídeo: Luís Batista
Direcção técnica e iluminação:Pedro Fino

Actores: Roberto Querido e Tiago Poiares

Clemente Tsamba, "Nos tempos de Gungunhana"

23.08 (Dom.) / 22h00 / Largo da Igreja

Agosto 2015

Clemente Tsamba (Moz.)

Nos tempos de Gungunhana

M/ 16 - Dur: 45m
III Ciclo de Contadores de Histórias

Era uma vez um guerreiro da tribo Tsonga chamado Umbangani Namani, que fora em tempos casado com uma linda mulher da tribo Macua, chamada Malice. Não tiveram filhos… mas tentaram muito. Este é o mote que dá início ao karingana ou conto tradicional sobre a vida de um simples guerreiro, mas que muito rapidamente se vai transformar numa sequência de outros pequenos karinganas que relatam  aspectos relacionados com a vida na corte do rei Gungunhana, onde a traição, a crueldade, as mortes, o sangue, são os ingredientes principais de cada caringana contado e embalado por ritmos e canções tradicionais moçambicanas. Mas, que não se distraia o ouvinte menos atento… porque este karingana, não tem nada a ver com Gungunhana!
Vamos então à história: Karingana wa Karingana!

Textos originais: Ungulani Ba Ka Khosa
Criação e interpretação: Clemente Tsamba
Apoio na criação: Filipa Figueiredo, Paulo Cintrão e Ricardo Karitsis
Fotografia: José Ferrolho

ESTE - Estação Teatral, "A história de Zé Manteigas"

23.08 (Dom.) / 22h00 / Silvares

Agosto 2015

ESTE – Estação Teatral

A história de Zé Manteigas

M/ 6 - Dur: 30 m
III Ciclo de Contadores de Histórias

Zé Manteigas é um mineiro da Panasqueira que trabalha pelo seu sustento. Como todos os outros trabalha em condições precárias. O mal estar na mina e os constantes abusos do patrão unem os mineiros na luta por melhores condições de vida. Zé Manteigas está na linha da frente e o destino reserva-lhe um papel determinante na relação com Mr. Charles o patrão todo poderoso das Minas da Panasqueira.
Partindo da obra clássica “Tartufo” de Moliére, no âmbito do projecto pedagógico “Uma história para Continuar…” desenvolvido com escolas do 1º ciclo no concelho do Fundão, a Estação Teatral transpõe a história original do dramaturgo francês do sec.XVII para o imaginário colectivo da Beira Interior. As Minas da Panasqueira e o seu manancial narrativo que marcou profundamente várias gerações na região, acabou por inspirar “A história de Zé Manteigas” e a criação de um espectáculo onde a prática dos contadores de histórias são o meio privilegiado para fomentar o encontro entre “quem faz” e “quem vê”.

Direcção Artistica: Nuno Pino Custódio
Coordenação pedagógica e dramaturgia: Tiago Poiares e Roberto Querido
Apoio Técnico: Pedro Fino
Produção: Alexandre Barata
Interpretação: Tiago Poiares e Roberto Querido

Teatro da Didascália, "Guarda Mundos"

25.08 (3ªfª) / 22h00 / MOAGEM

Agosto 2015

Teatro da Didascália

Guarda Mundos

M/ 6 - Dur: 60 m (aprox.)

Que memórias estão presentes na roupa que vestimos ou nos objetos que utilizamos ao longo de uma vida? Que histórias ficam guardadas em gavetas? O que guarda um guarda-fatos?   
Guarda Mundos é um espetáculo construído sobre um objeto muito particular, o guarda-fatos. Este objeto é na infância símbolo de refúgio e de portal para uma outra dimensão, capaz de atrair a curiosidade das crianças e as catapultar para o universo da imaginação.
A peça explora universos fantásticos através do jogo com peças de roupa, lençóis, peluches, cabides. O resultado é uma viagem vertiginosa com uma paisagem recheada de personagens grotescas, num espetáculo acrobático, com uma forte componente visual e simultaneamente mágico.
Guarda Mundos é um mergulho no espaço íntimo, uma viagem pelo imaginário individual com uma paisagem recheada de medos, desejos e sonhos.

Encenação: BRUNO MARTINS
Criação e Interpretação: BRUNO MARTINS, CLÁUDIA BERKELEY e LUCIANO AMARELO
Música Original: ALBERTO FERNANDES e RUI SOUZA
Cenografia: SANDRA NEVES
Figurinos: CLÁUDIA RIBEIRO
Desenho de Luz: VALTER ALVES
Apoio à acrobacia aérea: JULIANA MOURA

Coprodução: TEATRO DA DIDASCÁLIA; CASA DAS ARTES DE V. N. DE FAMALICÃO; TEATRO MUNICIPAL DO PORTO; CENTRO DE ARTE DE OVAR; TEATRO MUNICIPAL DE BRAGANÇA

Mostra de Curtas, "Os filmes da UBI"

26.08 (4ªfª) / 22h00 / MOAGEM

Agosto 2015

O Cinema produzido e realizado na Beira Interior vai ao teatro e conhece novos espectadores. Seleccionámos seis curtas-metragens de géneros muito diferentes, que revelam a liberdade criativa e o estímulo à inovação que tem caracterizado o ensino das artes cinematográficas na UBI.

Azeitona (2008) – Realizadores: Humberto Rocha, João Gazua, Luís Campos e Ana Almeida
Em Vez De Mimos, Semeava Ovos Nas Costas (2014) – Realizadora: Laura Vilares
O 21 da Rua da Esperança (2011) – Realizador: Luís Batista
Sussurro (2013) – Realizador: Fernando Cabral
Imergir (2008) – Realizador: Tito Fernandes
Do outro lado do rio e entre as Árvores (2015) – Realizador: Nélson Leão / ESTREIA

Antigona Ensemble, "Revoluções no Mundo"

26.08 (4ªfª) / 23h00 / MOAGEM

Agosto 2015

Antígona Ensemble surge em 2014, no Festival TeatroAgosto, na sequência de um convite para criação do espectáculo “Antigona” com as Classes de Teatro da Estação Teatral.
Antígona Ensemble propõe-se divulgar a música do mediterrâneo, procurando recriar e reinterpretar temas musicais através de uma leitura própria e de acordo com enquadramentos culturais ou temáticos específicos - procurando respeitar as criações originais, mas também ousando ir à descoberta de novas composições e de novas sonoridades.
Na sequência do espectáculo apresentado nas comemorações do 25 de Abril no Fundão, Antigona Ensemble criou o espectáculo Revoluções no Mundo. Neste concerto o público é convidado a recordar temas e palavras que marcaram mudanças, lutas e revoluções em todo o mundo. Uma viagem pela memória musical da revolução em Portugal mas também no Brasil, Espanha, Chile, Itália, França, Irlanda, Turquia, Inglaterra, Argentina e Cuba.

Vozes: Heloísa Simões e Bruno Martins
Guitarra, Charango e Viola Beiroa: Pedro Rufino
Baixo: João Cerejo
Violino: Paula Galhano
Piano: Dário Cunha
Bateria: Duarte Dinis
Saxofone Alto, Percussões e Voz: Alexandre Barata
Percussões e Voz: António Supico

Ajidanha, "OPUS"

27.08(5ªfª) / 22h00 / MOAGEM

Agosto 2015

M/12 - dur: 60m

Encontrando-me aborrecido num determinado momento da Minha eternidade, comecei a criação de todo o universo. Tudo parecia perfeito e matematicamente viável. A Minha criação era elegante, sublime e delicada mas como em todas as obras, há sempre um elemento imperfeito.

Dramaturgia criação colectiva e Ramón de los Santos (texto final)
Encenação José Carlos Garcia
Assistente de encenação Ana Peres
Interpretação Bruno Esteves e Rui Pinheiro
Desenho de luz José Carlos Garcia

Companhia do Chapitô, "ÉDIPO"

28.08 (6ªfª) / 22h00 / MOAGEM

Agosto 2015

M/ 12 anos - dur: 60m (aprox.)

Seria Èdipo o marido da sua própria mãe ou filho de sua mulher?
E os seus filhos, seriam também eles seus irmãos, filhos de sua mulher ou seria a sua mulher avó dos seus próprios filhos?
E ainda, seria Creonte seu tio ou seu cunhado?
Èdipo, re-inventado e sem complexos!

Interpretação: Jorge Cruz, Nádia Santos e Tiago Viegas

Yllana, "SPLASH"

29.08 (sáb.) / 22h00 / MOAGEM

Agosto 2015

m/ 6 anos - dur: 65m

SPLASH ! Transporta-nos para o mundo sedutor do mar de uma forma espontânea, fresca e original. Com touca de banho e camisa listrada três atores vestidos de marinheiros e mergulham de cabeça num oceano de sketches : resgatar galeões, surfar com tubarões ou salvarem-se de tempestades são alguns dos incidentes que terão de enfrentar num espectáculo marcado pela sua ironia característica e que convertem os Yllana em nadadores profissionais da onomatopoeia.
SPLASH! é um espectáculo de teatro físico e pantomima que desperta a imaginação a espectadores de todas as idades, transformando este encontro num momento inesquecível.

Dirección artística: David Ottone
Actores: Susana Cortés, Cesar Maroto, Rubén Hernández
Espacio escénico: Yllana, Diego Domínguez
Diseño de vestuario: Sol Curiel, José Pastor
Sonido: Jorge Moreno

MARCHA DOS ANDADORES, "Marcha livre para o matadouro"

30.08 (dom.) / 17h00 / Av da Liberdade

Agosto 2015

Marcha Livre para o Matadouro

Quando nos confrontamos com um muro passamos a definir o mundo entre o lado de cá e o lado de lá. A divisão define uma fronteira e dois egos colectivos emergem. A oposição marca a diferença dada pelo constrangimento físico e pela barreira psicológica. O inimigo constrói-se desse instinto primário que não nos abandona apesar de uma pretensa civilização se esforçar por o disfarçar. O perigo de uma invasão desenvolve um mesmo desejo de defesa. O medo instala-se. O ser humano regride. No início era assim. As cidades muralhavam-se, os rios, os desertos e as montanhas tornavam-se fronteiras, os territórios definiam-se segundo a delimitação de barreiras difíceis de transpor.
Num mundo globalizado, os muros não ficam bem mas são tão ou mais necessários quanto a sua ancestralidade. As muralhas agora separam sem pudor o mundo dos ricos e o mundo dos pobres. O dinheiro e o poder segregam. As leis dividem e as diferenças aumentam, nessa nova ordem de poder ditada pela finança e pelos mercados. Mas há, ainda assim, que criar a ilusão das escolhas e das oportunidades, não vá tudo desabar, há que mostrar um mundo aberto e livre, pese embora termos que continuar a viver como rebanhos que seguem as direcções dos seus caciques gananciosos. Num viver cada vez mais embrutecido pela alienação e pelo desinvestimento no indivíduo e no social, cria-se a engenharia de se recolocarem de perfil os muros, criando a ilusão de duas escolhas. Podemos decidir ir pela esquerda ou pela direita, comprar bens na loja A ou B, votar no partido X ou Y, optar por um serviço ou por outro. Mas a passagem pelo muro de perfil que julgáramos um corredor livre faz-nos desembocar no mesmo lugar, porventura muito pior, acabada a travessia. Um lugar que pode mesmo chamar-se "matadouro". O capitalismo e o pensamento neoliberal eucaliptizam tudo à volta e promovem a bipolarização. "Escolher não escolher" é hoje a condição de um indivíduo, de uma comunidade ou de um país, reféns da sua própria ilusão de liberdade, enquanto a palavra democracia começa e acaba somente no acto de votar. Em A ou em B...

DELPHOS Projecto_Residência, "Muro"

30.08 (dom.) / 18h00 / Praça Velha

Agosto 2015

Com este espectáculo propomos abordar as relações entre diferentes tipos de pessoas no séc. XXI. Para expor artisticamente a questão das relações interpessoais utilizaremos a ideia de um prédio habitado por sete famílias, servindo de metáfora ao mundo em que vivemos. Explorando as relações no seio de cada família e entre famílias representamos o modo como os diferentes tipos de pessoas, de diferentes locais, extractos sociais, culturas, etc comunicam uns com os outros e entre si.
Cada actor representará um tipo de família, demonstrando os problemas existentes entre as pessoas, a falta de comunicação, o individualismo e o egoísmo. Exploraremos também as dicotomias litoral/interior e temas macro, ou seja, comuns aos diferentes tipos de pessoas representados, como a hipocrisia, má comunicação, egoísmo, etc e temas micro, ou seja, mais específicos, como os problemas que dizem respeito a cada família, como solidão ou a comunicação entre casais e pais e filhos.
Este tema será explorado através o uso do corpo e sem texto. Abordaremos os problemas de comunicação através da comunicação não verbal. O texto que surgir será dito através de uma língua inventada. Queremos tornar o espetaculo universal, sem barreiras de comunicação.

Criação: Carolina Serrão, Cláudia Merendão, Sara Rodrigues da Costa
Com: Diogo Leite, Francisco Vistas, João Maria, Jaime Almeida
Cenografia: Luna Rebelo
Produção: Delphos

Os Irmãos Machado

30.08 (dom.) / 22h00 / MOAGEM

Agosto 2015

m/ 14 - dur: 60m (aprox.)

"Os Irmãos Machado" são um espectáculo que mistura, comédia, malabarismo "radical" com pedras da calçada, martelos e machados. As moto-serras chegam para a semana.
     
"Os Irmãos Machado" & "A Orquestra De Um Homem Só" assumem-se como entertainers e também fazem cobranças difíceis ao domicílio, ou a Países que precisem de cobrar avultadas somas de dinheiro a políticos e banqueiros corruptos. Vão exibindo as suas requintadas formas de cobrança com muito humor e Rock And  Roll ao vivo e à bruta.
Com muita interação com o público querem tornar-se num espectáculo de culto e continuidade não só por irem renovando o seu reportório musical e humorístico conforme as actualidades mundiais o forem permitindo, como também os seus truques e malabarismos, e terão convidados especiais que farão aparições regulares no palco dos Irmãos Machado.

Com: Ricardo Peres, João Sousa e Hugo Osga

VI MASTER DE COMMEDIA DELL’ARTE

24 a 30 de Agosto / MOAGEM

Agosto 2015

Desde 2007, a Estação Teatral e o Festival Internacional de Teatro ao Ar Livre TeatroAgosto têm apostado numa oferta de formações raras em Portugal: as Masterclasses de Commedia
dell’Arte onde, durante o decurso da sua programação, recebem um conjunto de alunos que durante um período intenso do dia frequentam as aulas e, no período da noite, têm a oportunidade de se focarem em espectáculos que privilegiam a arte da encenação ou o teatro enquanto espectáculo, respondendo aos desafios do contexto do espaço ao ar livre.

Dezenas de alunos, de várias nacionalidades têm correspondido a este estágio de verão, sempre na perspectiva de que a Commedia dell’Arte se constitui como um elemento estruturante nas suas formações. Uma das particularidades destes encontros é o de abarcar módulos que se revelam complementares e que investem na vertente actor-criador.

A Commedia dell’Arte foi a última manifestação mascarada do teatro no Ocidente e marcou quase três séculos de uma actividade que veio a ser determinante não apenas para a formação do actor até aos dias de hoje (constituindo-se como o seu primeiro grande laboratório) mas inclusive para a profissionalização de toda uma actividade que pôde, a partir daí, sistematizar os seus ensinamentos de forma a criar escola e a transmiti-los.
Não sendo possível hoje reconstituí-la ou recriá-la, tantas foram as suas possibilidades, transformações e evoluções, num universo onde a informação, no plano do espectáculo, é tantas vezes escassa ou inexistente, sabe-se que terá irrompido em Itália, fruto de uma convergência de factores que se tornaram visíveis, em meados do século XVI, espalhando-se pela Europa até finais do século XVIII.

Manifestação popular, de origens controversas, três marcas são-lhe no entanto reconhecidas
Como estruturantes para o actor moderno: (a) o recurso à improvisação (os actores representavam sem texto fixo, a partir de guiões muito bem elaborados e estavam atentos às reacções do público, adaptando, em cada momento, o seu jogo às circunstâncias); (b) a tipificação de personagens (onde o recurso a arquétipos sociais garantiam a possibilidade de evolução de todo um espectro humano que representaria por sua vez todas as cambiantes sociais, físicas e psicológicas, colocando a representação num plano de identificação muito directo) e (c) o recurso à máscara, que permitia, entre tudo o que já se disse, desenvolver a capacidade de desdobramento no “outro”, comunicando de forma total.

Dir: Nuno Pino Custódio