Propositario Azul

Auto da Barca do Inferno

30 Agosto 2014, 22h
n'A Moagem- Cidade do Engenho e das Artes, Fundão

Num cais situado algures entre o mundo dos vivos e o destino final dos mortos, chegam, em desfile, um conjunto de personagens-tipo representativas da sociedade portuguesa do século XVI que, deparando-se com as barcas do Inferno e do Paraíso, são encaminhadas para uma ou para a outra na razão direta da conduta que tiveram ao longo da vida.
Três actores desdobram-se para levar à cena a obra de Gil Vicente mas a distância temporal que os separa daquelas personagens e da sua linguagem fazem-nos encarar a representação como um jogo em que a inevitabilidade é o recurso derradeiro para revelar o quão próximo de nós e da nossa realidade pode estar este texto. Nesta abordagem, o texto é assumido em toda a sua especificidade, integralmente e sem a facilidade errónea da adaptação contemporânea de vocabulário ou expressões; em lugar de figuras de colorido artificial e infantil – visão fantasiada e estereotipada das figuras da Idade Média –, tenta dar-se vida a personagens de forte recorte teatral a partir do exercício de imaginação que o actor partilha com o espectador, quando em cena estabelece com ele uma relação direta, humana, presencial.
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Texto: Gil Vicente \ Dramaturgia e encenação: Nuno Nunes \ Cenografia e figurinos: Ana Limpinho \ Desenho de luz: Rui Alves \ Interpretação: Rita Lucas Coelho, Sara Cipriano, Vítor Nunes \ Desenho de esgrima: Carlos Pereira \ Consultadoria, recolha de materiais e
caderno pedagógico: João Frazão \ Assistência de produção: André Tenente \ Produção: Propositário Azul, associação artística