Pouca Terra

14ª Criação

Lugar do Meio é um lugar à beira do silêncio, mas ainda tem estação de comboios. Tem pouca gente, é certo, e fica tão distante de Lá Longe como de Bem Longe Daqui. Os habitantes de Lugar do Meio encontram na estação a sua casa, esperando que os comboios lhes tragam, por fim, uma razão para acreditar na felicidade.
Quem ali chega de comboio tem já hora de partida marcada. Apenas conseguimos vê-los, porque um passageiro em viagem é obrigado a sair na estação de Lugar do Meio para mudar de comboio e seguir até ao seu destino. Um comboio que é sucessivamente adiado, forçando o viajante a parar, a escutar e a olhar, ocupando, no banco da estação, o lugar que o espectador ocupa numa sala de teatro.

Porque o silêncio se instala de vez e apenas se vêem os comboios que passam sem parar, chega a hora de cada um mudar a agulha do seu próprio trilho, movendo-se, então, mesmo que seja para lugar nenhum, mas atrás da sua própria felicidade.

Fruto de um processo de improvisação fundado na seguinte lógica de premissas, música – ritmo – corpo – emoção – acção, e onde os actores se desdobram em várias personagens com sons, texturas e acções diferentes, mas todas em situação de espera, o espectáculo oferece ao espectador a possibilidade de viajar por emoções, assim como a música nos permite viajar sem sairmos do sítio.

Dramaturgia e Encenação - Ricardo Brito
Cenografia e Figurinos - Ana Brum
Musica Original - José Reis Fontão
Arranjos e Direcção Musical - Carlos Branco
Desenho de Luz e Operação Técnica - Pedro Fino
Fotografia: António Supico

Interpretação: Filipe Eusébio e Sara Gabriel

Espectáculo estreado dia 23 de Maio de 2011 no Fundão (Auditório da Moagem).